Persistência e brilho no olhar são necessários para quem deseja seguir a carreira no Teatro


Se fizer o que é essencial para você, aí está o segredo do sucesso”.


Foto: Jaqueline de Lima


Ivam Cabral é ator, dramaturgo e integrante da Diretoria da “SP Escola de Teatro”. Fundou juntamente com Rodolfo García Vázquez a renomada Companhia “Os Satyros” em 1989. Com mais de trinta anos de experiência nessa aérea, contribui para a formação de jovens artistas.



Foto: Site oficial da SP Escola de Teatro
Em relação ao seu trabalho realizado na primeira escola de Teatro em São Paulo que possui oito cursos profissionalizantes como dramaturgia, técnicas de palco e sonoplastia, informou qual é o legado da instituição para a cidade e sua população “Quando falamos em Teatro, no geral é ator ou diretor, muito dificilmente você vai encontrar escolas para outras formações no Teatro”. Ela é um marco. Porque vêm trazer uma formação para áreas que antes não existiam (...). Viemos para organizar esse Mercado de Trabalho. 
 Para quem deseja seguir carreira nesse ramo, reforçou “É fundamental, fazer uma escola, são de extrema importância. Procurar uma formação consistente, esse é o primeiro passo”.
Quando questionado sobre a situação e as dificuldades enfrentadas pelos atores brasileiros, demonstrou otimismo: “Sim, é possível viver sendo ator ou atriz no Brasil. É uma carreira difícil. Chegamos em um momento em que os bons profissionais importarão. Se antes quem se formava em Medicina, Advocacia ou Jornalismo, tinha um caminho mais tranquilo (...). Os atores estão nesse nicho, têm crescido o Mercado de Trabalho nos últimos anos.
“Existe uma indústria potente e interativa. Existem muitas coisas a se pensar. O Teatro não é só o que as pessoas em um primeiro momento imaginam. Eu vou para TV me dou bem, tá tudo certo? Eu acho que não. Existem bons atores que trabalham apenas no Teatro, são felizes, conseguem pagar suas contas no final do mês e não querem ir para a Televisão”.
A vivência teatral contribui para o ser social das crianças e jovens, o ator acha que a arte é fundamental na formação geral do cidadão. “Porque possibilita, creio, a reflexão. Vamos ter mais possibilidades, pensar sobre as coisas da vida através da arte. Como na Literatura, cinema e as artes visuais. Abrem porros e olhares. Para a primeira infância principalmente. Porque abre horizontes. É o alimento da alma. Vivemos momentos tão complicados que a arte pode ser justificada como um momento de ternura, respiro e de possibilidades”.
No início de sua Companhia, utilizou muito da literatura para conseguir trabalhar “Adaptamos muitas obras, de autores brasileiros e estrangeiros. É uma fonte importante para nós que trabalhamos com Teatro. Já está implícita nas obras, a reflexão, a crítica etc”. Um autor que utilizamos bastante, é literário e que fizemos adaptações com sucesso para o Teatro foi “Marquês de Sade”, francês do século XVIII que escreveu obras super importantes.
“É bacana porque nos tornamos quase experts, tivemos que estudar profundamente. Pegar uma obra já conhecida é interessante, pois você já tem reflexões. Muitos filósofos e críticos literários já falaram sobre eles, você já tem meio mastigada uma possibilidade de trabalho. Esse contato facilita. Para nós a peça teatral baseada em livro, mais marcante desse autor, foi a “Filosofia não Alcova”. Há 28 semanas está em cartaz como longa-metragem no Cine Belas Artes. É um sucesso inesperado inclusive, um romance escrito em 1795 mais ou menos. Porém, é muito atual porque é uma crítica ferrenha a família, a religião, aos costumes, escrita há mais de dois séculos e ainda faz sentido”.
“Primeiro adaptamos para o Teatro, estreou em 1990 e até hoje está em cartaz. Por isso, é um exemplo bem-sucedido de você buscar na Literatura uma obra e conseguir trazê-la para o Teatro e agora para o cinema”.

Foto: Site oficial da Companhia de Teatro
O começo dos Satyros foi bem difícil. Mas Ivam disse “A receita não é diferente para qualquer outra área. É a persistência. Primeiro você deve se perguntar: Isso é essencial para sua vida? Eu acho que qualquer jovem artista deve responder. A Fernanda Montenegro tem uma frase que gosto muito: você deve se perguntar “É essencial, precisa disso para viver ou poderia fazer outra coisa”. Se não tem certeza, mude de ideia e vá fazer outra coisa. Se fizer o que é essencial para você, aí está o segredo do sucesso. Para um jovem ator, atriz, companhia que estejam começando, primeiro deve ter respondida essa pergunta positivamente e batalhar muito. Porque o começo vai ser difícil. Claro que existe o fator sorte, mas esse percentual é pequeno. A persistência, o dia a dia e a luta é fundamental”.
Convivendo diariamente com a nova geração o entrevistado disse o que o faz continuar acreditando nos novos talentos “É o brilho nos olhos, a esperança, o sonho. Se você não sonha, não vai concretizar nada”. É um pouco do que vai determinar a sua vida e trajetória. Qual futuro você quer? Onde quer estar daqui a trinta anos? O que quer da sua vida dentro do que está estudando? Sonhava que teria uma Companhia de Teatro, iria trabalhar bastante fora do país. Queria ser reconhecido pelo meu trabalho e parte disso está acontecendo. Mas, era muito claro para mim lá atrás. O que acabei vivendo. Nas nossas profissões, vamos colhendo o que plantamos. O seu sonho vai acontecer, se quiser e ser persistente”.
Ivam contou também o que acha da Lei Rouanet, se na prática, ajuda realmente os artistas iniciantes “Não! Porque é uma Lei de Mercado. Eu, com trinta anos de experiência, não consigo chegar na Lei porque meu nome não é conhecido da mídia. Tenho grandes dificuldades. Mas não critico, porque é importante, cumpre um objetivo. É uma ferramenta de trabalho, do Ministério da Cultura e deveriam ter outras. Como por exemplo: pensar em projetos para jovens artistas em início de carreira que não seja a Lei Rouanet”. Encerrou o artista.

Foto: Ester Meni e Jaqueline de Lima 







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Por Jaqueline de Lima

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