A Obra Literária "O Caçador de Pipas" Para As Telas

 Foto: Amanda França

Uma adaptação sobre a amizade, o arrependimento e o perdão.

A leitora Renata Rocha relatou sua experiência após ler o livro e assistir ao filme de uma das obras mais lidas mundialmente.

O livro escrito por Khaled Hosseini conta a história da amizade entre os personagens Amir - um menino covarde, egoísta, filho de um comerciante rico, ávido por atenção - e Hassan, filho de um empregado, bondoso e corajoso, é um rapaz que mal sabe ler ou escrever. Ambientada no Afeganistão dos anos 70 em um momento antes da guerra.

Os dois se divertem em um campeonato de pipas. Após a vitória, Amir não defende Hassan de uma situação que mudará o relacionamento de ambos. Anos mais tarde, após Amir passar por diversas dificuldades e estar morando nos Estados Unidos, ele precisa enfrentar os erros do passado ao receber uma mensagem de sua terra, comunicando a morte de Hassan e de sua esposa.

Segundo a voraz leitora Renata Rocha de 44 anos formada em Administração, no processo de adaptação deste livro para o filme, aspectos da relação entre os dois protagonistas se perderam: “O livro é bem detalhado, foca bastante na relação entre esses dois garotos” afirma “A grande diferença é o foco na relação deles. O livro detalha bastante disso e no filme parece deixar como algo secundário, como se só anos à frente, por uma questão de remorsos, ele resolvesse voltar para o Afeganistão.” De acordo com a leitora, a adaptação orbitou em volta do personagem Amir, na sua vida e fuga de Kabul, ao invés de enfocar ambos os rapazes, como se Hassan não fosse personagem central. “Quando Amir trai Hassan no começo, é um peso que ele leva mesmo quando foge para os Estados Unidos. Passando muitos anos tem-se a sensação que o filme é apenas sobre a odisseia de Amir apenas – em como ele sofreu, como fugiu do Afeganistão, o desenvolver da sua vida na Califórnia, sua volta dos Estados Unidos e como lida com seus monstros; enquanto o livro vem construindo a relação dos amigos e valoriza a história inicial nos conflitos internos das personagens.” Renata explica acerca das distinções entre o livro e sua adaptação: “Como no filme tudo é mais pronto, você precisa prestar atenção nas coisas, nos movimentos, nos cenários e nisso muita coisa pode se perder. No livro há os detalhes de todos os aspectos das cenas, a textura e o formato das coisas - no filme falta todo esse detalhamento do livro; então eu curto mais os livros do que os filmes.” E finaliza “No filme não há tal importância, coisas que no livro são bem detalhadas, se mostram importantes, é mostrado no filme como uma pincelada”.

Com isso pode-se dizer que a adaptação para a telona apresentou furos em sua narrativa, ainda que seja esperado que o roteiro corte detalhes da história original no processo de adaptar, em O Caçador de Pipas essas imperfeições ficaram ainda mais evidentes com a retirada de relações, cenas que interligariam o passado e o futuro dos personagens, e o salto no filme que deixa o espectador sentir a ausência de algo que seria importante se estivesse em cena. No livro há uma minúcia, no filme fica a sensação de faltar uma parte necessária da história, para retratá-la fielmente. Embora o livro seja visto como uma das melhores obras literárias já escritas no mundo, sua passagem das páginas para as telas teve falhas e deixou a desejar para aqueles que leram a obra literária.

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Por Ester Meni

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