Desertos, Mitologia do Oriente Médio e Guerreiros irritantes: A Cidade de Bronze



Livro: A Cidade de Bronze 
Autora: S. A. Chakraborty 
Editora: Morro Branco 
Páginas: 602 
Gênero: Fantasia 

Cuidado com o que você deseja... 

Nahri nunca acreditou em magia. Golpista de talento inigualável, sabe que a leitura de mãos, zars (cerimônia que lida com possessão djinn) e curas são apenas truques, habilidades aprendidas para entreter nobres Otomanos e sobreviver nas ruas do Cairo. 
Mas quando acidentalmente convoca Dara, um poderoso guerreiro djinn, durante um de seus esquemas, precisa lidar com um mundo mágico que acreditava existir apenas em histórias: para além das areias quentes e rios repletos de criaturas de fogo e água, de ruínas de uma magnífica civilização e de montanhas onde os falcões não são o que parecem, esconde-se a lendária Cidade de Bronze, à qual Nahri está misteriosamente ligada. 
Atrás de seus muros imponentes e dos seis portões das tribos djinns, fervilham ressentimentos antigos. E quando Nahri decide adentrar este mundo, sua chegada ameaça começar uma antiga guerra. 
Ignorando advertências sobre pessoas que a cercam, Nahri embarca em uma amizade hesitante com Alizayd, um príncipe idealista que sonha em revolucionar o regime corrupto de seu pai. Cedo demais, ela aprende que o verdadeiro poder é feroz e brutal, que nem a magia poderá protegê-la da perigos teia de intrigas da corte e que mesmo os esquemas mais inteligentes podem ter consequências mortais. 

A obra A Cidade de Bronze é a primeira da Trilogia Daevabad, escrita pela S. A. Chakraborty, publicada no Brasil no segundo semestre de 2018. O contexto tem como pano de fundo histórico o Oriente Médio no século XVIII durante a ocupação francesa no Egito, assim como desertos escaldantes, magia e jogos traiçoeiros em uma cidade escondida onde nada é o que parece, com surpresas – tanto agradáveis quanto desagradáveis para os personagens – esperando a cada caminhada, a cada porta. 
O livro é narrado sob dois pontos de vista: um deles é o de Nahri,uma ladra e golpista habilidosa que cresceu no Cairo, onde invocou Dara, um guerreiro dijinn poderoso, em um evento para expulsar uma possessão djinn do corpo de uma garota de sua cidade – a ironia! - . O djinn então decide leva-lá para uma cidade mística e escondida dos humanos onde moram djinns e shafits (mestiços), chamada Daevabad. No caminho eles enfrentam diversos perigos, como ifrits (seres primordiais amaldiçoados) e ghouls em seu encalço, bem como a perda de um querido amigo. Na cidade escondida, Nahri descobre ser uma descendente perdida de uma família poderosa de djinns que se acreditava estar extinta e começar a treinar suas habilidades mágicas, e sob pressão de seguir com o legado de sua mãe, ao mesmo tempo que precisa tomar cuidado com as tramoias do rei djinnGhassan al Qahtani e lidar com seus sentimentos – e falta de futuro – por Dara. 
O outro ponto de vista do livro é de Alizaydi al Qahtani, filho mais novo do rei, que cresceu em Daevabad e entra em conflito sobre escolher ser leal à sua família ou ajudar os mestiços, que sofrem ao serem encarados como sem valor e com menos opções de melhorar a vida na cidade mítica. Seu pai, ao descobrir seus segredos, obriga Ali a formar uma amizade improvável com Nahri, que também desconfia dele e do resto da família real. 
O enredo do livro te envolve desde o início surpreendente e com toques de humor no início e durante a narrativa, até o final emocionante ao fazer o leitor derramar algumas lágrimas e se enraivecer com a conclusão de cair o queixo – pelo menos fez comigo, sugiro que preparem seus corações! 
O único ponto fraco que observei nesta obra foi que a autora, de vez em quando, tende a exagerar um pouco ao descrever aspectos do enredo – principalmente cenários, o que pode cansar alguns leitores, mas um conselho: não parem de ler – mesmo que o ponto fraco da autora possa ser um pouco desencorajador, S. A. Chakraborty compensa – e muito, na opinião desta leitora – com as descobertas e o desenvolvimento dos protagonistas, bem como a maneira que ela envolve a mitologia do Oriente Médio com a História do século XVIII e seus próprios personagens. 
A Cidade de Bronze foi eleito um dos melhores livros do ano pela Amazon, Barnes & Noble, Library JournalSyFy Wire e Vulture. Também eleito um dos melhores livros do mês pela Goodreads e Library Reads. 
A saga está prevista par ser uma trilogia e será publicada nacionalmente pela editora Morro Branco. O segundo volume ainda não tem data de lançamento oficial no Brasil. 
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Por Ester Meni

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